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Maior parte dos óbitos envolve moto, pedestre e jovem do sexo masculino na faixa dos 18 aos 30 anos
Caxias do Sul - Um acidente ainda sem explicações concretas determinou a 100ª morte deste ano no trânsito na região da Serra. O choque entre a moto placas IMW-1355 e um caminhão estacionado na Perimetral Norte, perto da revenda de veículos Peugeot, matou Thiago José Mateus Mussoi, 24 anos, às 18h de terça-feira.
A tragédia vai ao encontro de um preocupante perfil que se desenha sobre as vítimas de 2008: 83 eram homens, 42 tinham idades entre 18 e 30 anos e 30 estavam conduzindo ou na carona de motos.
Longe de qualquer estatística, a morte de Thiago abalou e intrigou seus amigos e familiares. As circunstâncias do acidente não foram esclarecidas, e a polícia procura pelo condutor de um outro veículo que estaria envolvido no acidente.
Segundo testemunhas do choque, um Classe A, de cor escura, teria invadido a pista onde Thiago trafegava com a moto, jogando-o contra o pára-choque do caminhão. O motorista desse carro teria fugido sem prestar socorro à vítima.
Thiago morreu no local. Ontem, no velório, um sentimento de inconformismo tomou conta dos pais do rapaz. Queriam um pedido de desculpas de quem causou o acidente.
- Sabemos que essas coisas acontecem, mas a gente gostaria de saber por que essa pessoa (supostamente o motorista do Classe A) não parou para ajudar o Thiago - lamentou Lúcia Mussoi, a mãe.
Thiago cursou Educação Física na Faculdade da Serra Gaúcha (FSG), mas interrompeu o estudo. Trabalhava na produção de uma empresa de eletrônica. Tinha carteira de habilitação para carro e moto desde os 18 anos, sem nunca ter se envolvido em acidente. Usava a moto para se deslocar ao trabalho e, ao morrer, usava capacete.
- Ele gostava de jogar futebol, praticar esportes... Era muito bom em mountain bike - recordou Ademar Mussoi, o pai.
Mesmo que a 100ª morte no trânsito tenha surgido, neste ano, 14 dias mais tarde do que em 2007 (veja quadro ao lado), a preocupação das autoridades com o crescimento no número de acidentes persiste. A comparação entre os anos não representa, segundo elas, uma tendência de diminuição de ocorrências fatais. De acordo com as autoridades de trânsito, não é possível projetar essa redução de dias como um indicativo de conscientização dos motoristas.
- Infelizmente, as pessoas estão sem cuidados. Os motociclistas de entregas rápidas, por exemplo, continuam a colocar suas motos entre os carros. Muita gente não adota o cuidado para prevenir os acidentes - lamentou o diretor de Trânsito, Carlos Roberto Noll, sem relacionar sua análise ao acidente de Thiago.
( fabiodacamara@jornalpioneiro.com.br )
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