Viva, sim, a tolerância zero no trânsito!
Postado em: 24/06/2008 - Notícias
Enviado por Juarez Becoza - para o site Globo On line
Caro leitor:
Recebo a missiva do Carrodecombate, fiel leitor deste blogue, pedindo minha opinião sobre a nova legislação de trânsito, que impõe rigor absoluto contra os motoristas que bebem ao volante.
Ele coloca que acha um exagero punir com pesadas multas e até prisão o sujeito que sai de casa para tomar um inocente chopinho ou dois e voltar dirigindo. Pois bem: eu não acho. No Brasil, quem bebe, não pode dirigir. E ponto.
Infelizmente, caro Carrodecombate, vivemos um período de exceção. Não soubemos usar a liberdade que décadas de legislação mais flexível nos ofereceram. E não só por culpa de motoristas irresponsáveis. A irresponsabilidade, triste característica enraizada na nossa cultura, permeia também as ações de empresários e comerciantes, que incentivaram, anos a fio, o consumo de bebidas alcóolicas em postos de gasolina e afins. O resultado disso é o triste posicionamento do Brasil no topo do ranking dos países com mais mortes no trânsito no mundo.
Só para citar um exemplo de como essa irresponsabilidade está no nosso DNA, lembro-me até hoje de um surreal evento organizado por uma grande cervejaria, cerca de 20 anos atrás no Rio de Janeiro. A empresa inventou de fazer uma festa com farta distribuição de cerveja nos galpões de um centro de convenções. Ocorre que o lugar ficava a mais de 40 quilômetros do centro da cidade, e na época praticamente não havia linhas de ônibus, trem ou metrô até o lugar. O resultado foi um acesso massivo de automóveis ao evento. E na volta, um festival de batidas e barbeiragens, cometidas por motoristas encharcados. Isso sem contar nas centenas de veículos esquecidos no estacionamento, por gente que não era capaz de lembrar onde tinha largado o próprio carro... Uma patacada, patrocinada pela indústria da bebida e com o alvará da digníssima prefeitura...
Por essas e outras, caro leitor, eu sou francamente favorável à nova lei e a qualquer outra ação de franca repressão ao uso de bebida na direção. Sei que posso soar careta para muitos nobres leitores deste blogue, mas fecho questão nisso.
Eu, que bebo por profissão, sempre andei e morrerei andando de táxi. Aliás, como sou um radical nessa questão, não tenho nem automóvel nem carteira. Não defendo isso para todos, claro, mas martelo na convicção: beber e dirigir, não. Nem um chopinho. O serviço de táxi nas grandes cidades do Brasil é um dos mais baratos e eficientes do mundo. Aproveitemos, pois, essa condição e deixemos o carro na garagem quando formos ao boteco.
Essa, meu caro Carrodecombate, é a minha opinião.


