|
As mortes provocadas por acidentes de trânsito se equiparam ao número de óbitos por câncer em todo o mundo. São 1,26 milhão de pessoas que morrem, todo ano, vítimas do tráfego, constituindo um dos maiores problemas de saúde pública, ficando atrás apenas das mortes por doenças cardiovasculares. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que, para cada óbito, existem 34 feridos e 11 casos com seqüelas. Os números impressionam e essa realidade precisa ser revertida. Por isso, a OMS elegeu para hoje, Dia Mundial da Saúde, o tema "Segurança e Educação no Trânsito" para que seja melhor discutido na sociedade.
Em épocas de feriados prolongados, como Semana Santa, quando há um volume maior de veículos nas estradas, a combinação de excesso de velocidade, desrespeito às leis de trânsito e condições precárias das vias, além do tempo chuvoso, resultam sempre em perdas. No entanto, seqüelas e mortes provocadas por traumas no trânsito são passíveis de prevenção. Basta, para isso, respeitar o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), fazendo uso do cinto de segurança nos bancos dianteiros e traseiros, respeitando as velocidades permitidas em vias e estradas, jamais combinar álcool e direção, não dirigir cansado ou com sono e cuidar da manutenção do veículo.
"É preciso mudar a cultura, a mentalidade do povo que não obedece as leis de trânsito. A orientação à população é a única maneira de mudar essa realidade", afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, professor titular de Ortopedia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, Neylor Lasmar. A gerente de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, Betty Kopit, faz coro com o médico e acredita que campanhas educativas devem ser constantes e precisam visar a criança e o adolescente, futuros motoristas. "As campanhas têm sido positivas, mas os resultados não são imediatos. Elas devem ser freqüentes, para não haver acomodação", defende.
A responsável pela Coordenadoria de Doenças e Agravos Não-Transmissíveis (Cedant) da Secretaria de Estado da Saúde, Maria Leonor Ferreira Abasse, frisa que existem duas portarias do Ministério da Saúde (737, de 16 de maio de 2001; e 344, de 19 de fevereiro de 2002) que tratam da Política Nacional de Redução da Morbi-Mortalidade por Acidentes. Ela informou que, a partir de agora, a idéia é sensibilizar a população com campanhas educativas ao longo do ano. Médicos que trabalham nos setores de urgência e postos de saúde deverão ser um instrumento de sensibilização da população. "É preciso envolver nos debates diversos municípios e instituições, no sentido de prevenir os danos".
Hoje, às 10 horas, no salão nobre da Prefeitura de Belo Horizonte, será apresentada a pesquisa de acompanhamento de vítimas e assinatura da portaria que cria a Comissão Intersetorial de Controle e Prevenção de Acidente de Trânsito, com representantes do Executivo, instituições de Ensino Superior, rede hospitalar de atendimento de urgência e sociedade civil, para elaborar e propor medidas para controle dos acidentes de trânsito.
Também serão inauguradas 280 travessias de pedestres e 180 "botueiras" (botões de sinalização em que o próprio pedestre os aciona quando deseja atravessar o cruzamento). O evento acontece na Rua da Bahia com Avenida Augusto de Lima. Haverá participação da Banda da Polícia Militar e soltura de balões brancos, simbolizando a paz. Também as 40 Coordenadorias Regionais do DER/MG promovem hoje ações educativas de trânsito, com palestras, passeatas, blitz educativa, passeios ciclísticos, exposições e outras atividades.
Fonte: Hoje em dia Online
Autor: Luciana Neves
|